A penitenciária de Santo Stefano

A ilha de Santo Stefano, na Itália, pertencendo ao arquipélago das ilhas Pontinas, foi por 170 anos a sede duma penitenciária, que alojou muitos prisioneiros, ilustres e obscuros, mas todos vítimas de condições duríssimas de detenção e frequentemente de violências, que levaram alguns deles à morte.
As ilhas Pontinas têm uma origem vulcânica, desde 18 de dezembro de 1934 pertencem à província de Latina (anteriormente estavam na província de Nápoles) e são divididas em dois municípios, aquele de Ponza, incluindo a ilha homónima com 3.107 habitantes em uma superfície de 7,5 km² e as ilhas desabitadas de Palmarola (1 km²), Zannone (0,9 km²) e Gavi (0,24 km²). O outro município do arquipélago é aquele de Ventotene, incluindo a ilha homónima (veja o site web) com 708 habitantes em 1,25 km², e a ilha desabitada de Santo Stefano (0,29 km²).
Santo Stefano é a ilha mais oriental do arquipélago, e tem uma circunferência de 2 quilómetros, com diâmetro leste-oeste de 750 m, diâmetro norte-sul de 500 m e altitude máxima de 68 m. As costas são escarpadas, à exceção do lado noroeste, e evidenciam-se três promontórios: cabo Falcone ao norte, cabo Romanella ao noroeste e cabo Spassaro ao sudoeste. A vegetação compõe-se somente de figueiras, agaves e tabaibeira.
De acordo com Ptolomeu a ilha chamava-se Parténope, enquanto outros nomes da idade romana eram Palmosa, Dommo Stephane e Borca, na Idade Média Maldiventre ("dor de barriga"), Bentilem e Betente, e o nome atual poderia ser devido a um monastério dedicado a Santo Estêvão. A ilha foi colonizada muitas vezes, mas no último ficou abandonada por causa das incursões dos piratas sarracenos, que usaram-a como ponto de partida por suas correrias. No século XVIII o rei de Nápoles Fernando IV de Bourbon decidiu repovoaar as Pontinas, incluindo Santo Stefano, no começo, em 1768, com dois cem condenados que tiveram a tarefa de construir as casas, e umas prisioneiras, com quem tiveram que formar famílias; em seguida foram estabelecidas na ilha umas famílias de Torre del Greco (perto de Nápoles) e pescadores da ilha de Ischia.
As ilhas Pontinas foram usados como lugares de confinamento já na idade romana, e em particular Ventotene (então nomeada Pandataria) alojou por cinco anos Júlia Major, filha do emperador Augusto, mandada para o exílio por seu pai em 2 AEC, enquanto sua mãe Escribónia, embora pedindo seguir sua filha, não foi contentada. Mais tarde a filha de Júlia, Agrippina Major, mãe do futuro imperador Calígula, foi mandada por Tibério na ilha, onde deixou-se morrer à fome. Uns anos depois Octávia, esposa de Nero, foi mandada para o exílio em 62, e pouco depois seu mesmo esposo ordenou matá-la com a idade de vinte anos. Por fim Pandataria foi a demora forçada de Flavia Domitila, neta do imperador Vespasiano e sobrinha dos imperadores Tito e Domiciano, confinada para ser cristã e depois proclamada santa.

O Pan-óptico
O uso carcerário de Santo Stefano pelo contrário remonta à idade borbónica: Fernando IV fez construir lá uma penitenciária, projetada entre 1792 e 1793 pelo arquiteto Francesco Carpi, discípulo de Vanvitelli, que também tinha projetado edifícios públicos não-carcerários na ilha de Ventotene.
De acordo com um texto de 1855, por Giuseppe Tricoli, o mesmo Carpi mais tarde teria sido encerrado em Santo Stefano "por delito político", ou mesmo morreria lá, mas no detalhado estudo por Amelia Pugliese (veja) evidencia-se como na realidade no período da sua presumida detenção, Carpi estava livre e desenrolava a sua carga do empregado civil. Os militares de estância em Ponza, guiados por Luigi Verneau e pelo mesmo Francesco Carpi, aderiram ao governo republicano de Nápoles. Verneau, depois do fracasso da revolução libertária anti-borbónica em Nápoles, foi enforcado em Ponza.
A penitenciária tinha sido projetada segundo um modelo pan-óptico, que previa uma vigilância visual total e contínua dos prisioneiros, para alcançar a "dominação da mente sobre outra mente", como teorizado no tratado "Panopticon", obra do filósofo inglês Jeremy Bentham (1748-1832).
A estrutura circular desenvolvia-se em torno dum pátio, e inspirava-se aos círculos do Inferno de Dante. No patio infligiam-se as punições corporais, verdadeiras torturas que, a fim de admoestação, ocorriam diante dos olhos de todos os presos, mesmo por causa da sua forma circular,
A penitenciária foi inaugurada em 26 de sepiembro de 1795 com os primeiros 200 prisioneiros, que em breve vieram a ser 600, o número previsto como capacidade máxima, e então 900, arranjados em 99 celas, toda iguais, cada uma de dimensões de 4,50 x 2,20 m.
Na entrada da penitenciária Carpi fez pôr como admoestação a frase latina: "Donec sancta Themis scelerum tot monstra catenis victa tenet, stat res, stat tibi tuta domus" isto é: até a santa Têmis (personificação da justiça para os antigos gregos) mantiver encadeados tantos monstros, o estado e a tua casa estarão em seguro.

As "Ricordanze" de Settembrini
Além dos muitos presos políticos e comuns, em Santo Stefano foi encarcerado igualmente Luigi Settembrini (1813-1876), patriota e homem de letras que foi recluso lá em 1851, condenado a prisão perpétua, convertida em exílio em 1859, em véspera da queda do domínio borbónico. Settembrini em sua obra "Ricordanze della mia vita" ("Relembranças de minha vida") descreve assim a ilha: "Com dificuldade se pode chegar lá, e apenas em pequenos barcos, porque está rodeada por escolhos em toda parte, e o estreito apertado que separa-na de Ventotene está sempre agitado e barulhoso. Ela é batida por todos os ventos, que trazem para lá. no mesmo dia a dureza, a tepidez e o calor de todas as estações". Settembrini então descreve a penitenciária: "Vamos entrar nesta tumba onde cerca de oitocentos homens vivos são enterrados: veremos dores que o mundo não conhece e jamais poderá imaginar: veremos homens que caíram no último fundo da abjeção humana: e deste abismo de dor e crimes nós levantaremos os olhos e a voz a Deus para consolar aqueles que sofrem, e aconselhar aqueles que os fazem sofrer".
E então: "Quem se aproxima de Santo Stefano vê a penitenciária sobressaindo-se no topo da colina, que por sua forma quase circular parece uma gigantesca roda de queijo colocada na grama. A grande muralha externa, pintada de branco e sem janelas, está derramada uniformemente com pontos pretos, que são buracos na forma de seteiras muito estreitas, que permitem apenas a passagem de ar. Para desembarcar na ilha é preciso pular num escolho escorregadiço coberto de algas. Começando a subir uma trilha íngreme e áspera, em primeiro lugar encontra-se uma ampla caverna, que o superintendente da penitenciária usa para armazenar os suprimentos; subindo mais alto pode-se ver a vertente industriosamente cultivada".

Settembrini acrescenta: "Imagina ver um amplíssimo teatro descoberto, pintado de amarelo, com três ordens de camarotes formados por arcos, que são os três andares das celas dos condenados; imagina que naquele lugar do palco haja um grande muro, como um pano imenso, em frente de quem acha-se uma pequena esplanada encerrada pela paliçada e pelo fosso; que no meio do muro em cima esteja uma lógia coberta, em comunicação com o edifício externo, em que está sempre uma sentinela, olhando e dominando em torno este teatro; e mais acima neste grande pano há muitas seteiras em cada ponto. Assim terás uma idéia deste vasto edifício, cuja forma é mais ampla do que um semicírculo, com um vasto pátio no centro dele, e no meio do pátio fica uma pequena igreja que têm uma forma sextavada, encerrada tudo em redor por paredes de vidro. O patio está assoalhado com calhaus, acham-se duas bocas de cisterna e três bases de pedra, com barras de ferro que sustentam candeeiros. O empedrado e as cisternas foram feitos desde poucos anos: antes no pátio haviam urtigas e fossos, aonde os prisioneiros iam beber, e frequentemente disputavam com suas facas para dessedentar-se naqueles fétidos charcos".

Athos Lisa
O líder comunista Athos Lisa, encarcerado em Santo Stefano, descreveu assim a penitenciária: "O interior da penitenciária pareceu-me frio, severo como uma lápide ... O meu pensamento correu aos anfiteatros romanos e a sua história, porque o inferno, numa penitenciária, tem a forma dum anfiteatro. As celas foram construídas ao longo de uma circunferência daquele para mim não foi possível estimar a dimensão. Algumas delas estavam no rés-do-chão, outro no primeiro andar. Um balcão completamente descoberto desenrolava-se em toda a circunferência favorecendo a vigilância diurna e nocturna ... No centro do pátio, levantada da terra, dominava a igreja, rodeada por um terraço desde o qual os prisioneiros podiam ser guardados durante a recreação. Abaixo da igreja, uns pequenos pátios para o assim chamado passeio. Tudo isto formava uma espécie de conjunto monumental: na parte superior estêve a igreja, construída com paredes de vidro para permitir aos prisioneiros de "assistir" à missa sem sair das celas; em torno da igreja havia uma galeria para a vigilância, e mais abaixo os pequenos pátios arranjados em forma de leque."

Prisioneiros ilustres
Em Santo Stefano foi encarcerado e matado o anarquista Gaetano Bresci de Prato, perto de Florença (veja minha página sobre dele), condenado à prisão perpétua pelo assassinato do rei Humberto I, mas assassinado em 22 de maio de 1901, após poucos meses de sua transferência a Santo Stefano.
Outra vítima de Santo Stefano foi o jovem militante comunista Rocco Pugliese (veja minha página sobre dele), que morreu em 17 de outubro de 1930, assassinado pelos carcereiros, mesmo se, de acordo com a versão oficial, ficou sufocado pela comida ou, de acordo com outra versão, mesmo menos crível, suicidou-se.
Outro prisioneiro ilustre foi Silvio Spaventa e também dos afamados bandoleiros: Giuseppe Musolino (natural da região Calabria) e Carmine Crocco (natural da região Basilicata) foram encarcerados em Santo Stefano.
O regime fascista usou Santo Stefano como lugar da detenção para os oponentes políticos: entre eles, além do já mencionado Rocco Pugliese, houve Sandro Pertini, que foi presidente da República italiana de 1978 a 1985. Além dele em Santo Stefano foram encarcerados os líderes comunistas Umberto Terracini, Mauro Scoccimarro, Athos Lisa, e o socialista Giuseppe Romita (mais tarde ministro da República), o bandido anarquista Sante Pollastro e Guido Sola, jovem comunista de Biella, então mandado morrer no sanatório de Pianosa.
Mesmo Ponza e Ventotene foram lugares de detenção e desterro para os anti-fascistas, e o nome da segunda ilha é ainda ilustre pelo Manifesto de Ventotene, escrito em 1941 por Altiero Spinelli e Ernesto Rossi, relegados na ilha, que considera-se um documento de base da futura União Europeia.
Outros antifascistas recluidos nas Pontinas foram os comunistas Giorgio Amendola, Luigi Longo, Walter Audisio, Pietro Secchia, Camilla Ravera, Giuseppe Di Vittorio, Giovanni Roveda e Eugenio Curiel, o líder do Partido de Ação Riccardo Bauer e o socialista Lelio Basso.

As sevícias
As penitenciárias da época fascista foram o teatro de sevícias e vexames infligidos aos presos, que terminaram frequentemente com a morte das vítimas, inteiramente à mercê da brutalidade de seus carcereiros, certos da absoluta impunidade. Frequentemente os despojos mortais faziam-se desaparecer ou foram enterrados numa maneira anónima e geralmente suas famílias até não avisavam-se.
Uma das sevícias mais comuns em caso de protestos ou de insubordinação era o chamado "Sant'Antonio", com um termo derivado do calão dos camorristas (mafiosos de Nápoles): consistia em irromper de repente na cela, cobrir a vítima com uma coberta, e então atingi-la duramente com pontapés, socos, pauladas o com as grossas chaves das celas. A coberta servia para não fazer reconhecer os agressores, para sufocar os gritos da vítima e impedir-lhe de reagir, e também para não deixar traços no corpo do alvo do espancamento, quem pudessem testemunhar a agressão. De acordo com Giuseppe Mariani, anarquista lígure outrora encarcerado em Santo Stefano, naquele penitenciária durante os espancamentos tampouco usava-se a coberta, pois que os guardas, estando certos da sua impunidade, não julgavam oportuno tomar nenhuma precaução.
Rocco Pugliese faleceu em Santo Stefano, estrangulado ou matado a pancadas pelos carcereiros; o espancamento que causou sua morte é assim descrito por Francesco Spezzano "depois de lançar-lhe na cabeça uma coberta (...) mataram-o a pauladas" e além disso "seus gritos desesperados foram ouvidos por muito tempo pelos seus companheiros de aprisionamento (...) que, cerrados nas outras celas, não puderam fazer nada para ajuda-lo" e então "a emoção para o bárbaro assassinato foi enorme entre os prisioneiros que fizeram então uma coleta para mandar uma coroa de flores a seu funeral".
A morte dos prisioneiros durante os espancamentos é pelo contrário assim descrito por Sandro Pertini, que fue aprisionado em Santo Stefano desde 1929 até 1930, que num discurso em 19 de novembro de 1947, deputado da Assembleia Constituinte, recordou: "... eu falo por experiência pessoal (...) . Na cadeia, honorável ministro, acontece isto: um prisioneiro é golpeado; na conseqüência dos sopros o prisioneiro morre, e então todos empeçam preocupar-se, e não somente os carcereiros que bateram o prisioneiro, mas igualmente o diretor, o doutor, o capelão e todos os que fazem parte do pessoal da cadeia. E então fazem esto: desnudam o prisioneiro, penduram-o à grade da janela e o deixam descubrir assim pendurado. Então chega o doutor e escreve um relato de morte por suicídio. Esta foi a morte de Bresci. Bresci foi golpeado à morte, então penduraram o seu cadáver à grade da janela da sua cela de Santo Stefano, onde eu estive por um ano e meio".
Ugoberto Alfassio Grimaldi, citando testemunhos de presos políticos, escreve de Bresci: "... naquele 22 de maio os três guardas fizeram-lhe o "Santantonio": isto é cobrir alguém com cobertores e lençois e então batê-lo a morte; o seu cadáver foi enterrado, num lugar que ficou sem traço nos arquivos de Santo Stefano, por dois prisioneiros propositadamente mandados lá duma outra cadeia, e então mandados imediatamente atrás; e o comandante da penitenciária foi promovido e os três guardas foram recompensados".
Na mesma obra recorda-se que os assassinatos de presos políticos nas cadeias fascistas não eram casos isolados, como demonstrado pelos exemplos de Gastone Sozzi na cadeia de Perugia e de Romolo Tranquilli, irmão do escritor Ignazio Silone, na cadeia de Procida. A edição clandestina do órgão do partido comunista l'Unità de 1
ro de janeiro de 1929 refere os nomes dos prisioneiros comunistas falecidos ou de qualquer maneira sofrendo nas cadeias fascistas. Também Adriano Ossicini descreve a aplicação do Santantonio na prisão Regina Coeli em Roma, durante a ditadura fascista.

Entre outubro de 1860 e janeiro de 1861 Santo Stefano foi a sede da chamada república de Santo Stefano, uma espécie de estado autogerido estabelecido com uma rebelião por um grupo de algumas centenas de camorristas encarcerados, membros do clã Bella Società Riformata. A rebelião tinha sido facilitada pela partida da guarnição borbónica aquartelada na cadeia, que teve que acorrer em ajuda da cidade de Capua, cercada pelas tropas de Garibaldi.
Os camorristas deram-se as réguas muito estritas, prevendo a pena capital não somente pelo assassinato, mas igualmente por roubos ou agressões aos carcereiros. A república acabou após três meses de seu nascimento pelo desembarque dos marinheiros do Reino de Itália e pela conseqüente rendição, sem derramamento de sangue, dos revoltosos. O processo seguinte, em 1866, só viu leves condenações e muitas absolvições pelos rebeldes.
A penitenciária foi fechada definitivamente em 2 de fevereiro de 1965, e em 1981 no portão de acesso foi posta uma lápida para comemorar o aprisionamento de Sandro Pertini e dos presos políticos recluidos em Santo Stefano em seus 170 anos de "atividade".

A amotinação de 1943
De 14 a 18 de novembro de 1943 Santo Stefano foi o local de outra revolta, causada sobretudo pelo medo da morte por fome e sede, devido à situação de abandono da ilha após o armistício de 8 de setembro.
De fato, a partir de julho de 1943, Santo Stefano e seus hóspedes encontraram-se numa situação ainda mais precária do que a de costume, pela interrupção, no início parcial, e depois total, dos abastecimentos, compartilhada com Ventotene e seus habitantes e confinados.
Em 23 de julho de 1943, um esquadrão aéreo aliado, talvez de quatro aviões quadrimotores norte-americanos, deixou cair bombas de tamanho médio no mar, e uma deles atingiu a prisão, causando um ferido.
Em 24 de julho de 1943, um avião bimotor britânico Beaufighter torpedeou e afundou o navio a vapor Santa Lucia, que conectava Nápoles com as ilhas Pontinas, incluindo Santo Stefano, sendo a única fonte de abastecimento para a penitenciária, causando 65 vítimas.
Após o armistício de 8 de setembro, os aliados libertaram os 49 presos políticos, mas os 248 presos comuns foram deixados na penitenciária, e acharam-se abandonados pelo resto do mundo e sem recursos, guardados por apenas 39 carcereiros.
As reservas alimentares estavam esgotadas e pela água só podiam contar com a água da chuva, faltando qualquer nascente na ilha. Todos os animais que ainda ficavam foram abatidos, e as rações de comida foram reduzidas, mas mesmo assim os hóspedes de Santo Stefano chegaram à beira da morte por inanição.
A única rota de fuga que apareceu aos presos foi a evasão. A revolta não foi o resultado duma longa preparação, mas um ato desesperado para não morrer de fome e sede.
Então, em 14 de novembro a rebelião estourou, desencadeada por seis presos, incluindo Sante Pollastro e Giuseppe Mariani, que não tinha sido libertado pelos aliados sendo condenado por um crime comum, o atentado de 1921 no teatro Diana em Milão, que causou o massacre de 21 pessoas.
Os revoltosos fizeram como reféns os carcereiros, pegados de surpresa, que reagiram matando um dos presos, Giuseppe Ligregni. Mais tarde, eles também fizeram como reféns o diretor da prisão De Paolis e os civis, entre os quais as famílias do pessoal. Durante a revolta, foram queimados o arquivo administrativo e os registros da penitenciária.
Não contando com navios para afastar-se em massa, uns rebeldes dirigiram-se com um grupo de reféns até Ventotene, com o barco dum fornecedor, que tinha desembarcado na ilha e também foi feito refém. A intenção era de negociar o fornecimento duma embarcação para levar em Santo Stefano para embarcar os rebeldes e levá-los em outro lugar. A ilha de Procida é claramente visível de Santo Stefano, e a costa do Tirreno da península não está longe.
De fato, em Ventotene os carabinheiros e, em seguida, os soldados britânicos tomaram o controle da situação, prenderam Mariani e mandaram-o para Santo Stefano para comunicar aos rebeldes a ordem de rendição, sob pena do bombardeio da ilha. Apesar da forte resistência de Pollastro, no final os prisioneiros se renderam, graças também à persuasão de Mariani.

Hoy en día
Santo Stefano ficou abandonada desde o fechamento da cadeia em 1965. Isso levou a uma progressiva degradação dos edifícios, devido à ação de agentes atmosféricos e a atos de vandalismo e pilhagem que dura há mais de cinquenta anos, muitas vezes causados por idiotas em busca de souvenirs.
Dada a enorme importância histórica e arquitectónica do lugar, ao longo dos anos foram avançadas várias proposta de recuperação e reutilização, além de projectos de reconversão turística e hoteleira.
Afortunadamente, estes últimos são atualmente impraticáveis, porque a ilha, incluindo a cadeia, é resguardada como patrimônio cultural e faz parte de uma Reserva Natural do Estado, e até a amarração é proibida em mais da metade da linha costeira.
O complexo da cadeia é propriedade do Estado, enquanto o resto da ilha pertence a um particular. Um obstáculo comum a todos os tipos de projetos é a falta de locais de lugares de atracamento, o que dificulta o desembarque das pessoas, e a descarga de mercadorias é quase impossível.
Em setembro de 2018, 70 milhões de euros, incluindo fundos europeus, estão congelados, alocados em 2016 pelo governo da época, para a transformação da prisão em um centro de estudos de alta política.
Em setembro de 2018 a ilha foi aberta a visitas guiadas, conduzidas por Salvatore Schiano di Colella, um profundo e apaixonado conhecedor do lugar, mas as visitas terminaram no dia 30 de setembro, e não há indicação de que poderiam ser retomadas.
Para qualquer informação sobre a possível reabertura do site, você pode tentar entrar em contato com:
- o Museo Storico Archeologico di Ventotene (Museu Arqueológico de Ventotene) telefone +39.0771.85345 (durante o horário de funcionamento, variável, a verificar).
ou alternativamente
- o município de Ventotene, nos seguintes endereços:
Correio normal: Comune di Ventotene Piazza Castello, 1 - 04020 Ventotene (LT) - Itália
Telefone: +39.0771.85014
Fax: +39.0771.85265
PEC (Correio Eletrônico Certificado, só na Itália)::protocollo@pec.comune.ventotene.lt.it
Site Web: http://www.comune.ventotene.lt.it/hh/index.php.

Minhas fotos de Santo Stefano (28 setembro 2018)
Você pode usar essas fotos, desde que cite a fonte

Me desculpo por qualquer falha na tradução portuguesa:
se você deseja comunicar comígo para correções e/ou comentários,
escreva-me

BIBLIOGRAFIA:
- ALFASSIO GRIMALDI Ugoberto (1970) Il re "buono". Feltrinelli, Milano. Pag. 468-470.
- AMENDOLA Eva Paola (2006) Storia fotografica del Partito Comunista Italiano. Editori Riuniti, Roma.
- AJELLO Nello (2003) Il confino. Ecco le vacanze che offriva il duce. La Repubblica, 13 setembro 2003, pag. 39.
- BENTHAM Jeremy (1787) Panopticon, or the Inspection-house.
http://cartome.org/panopticon2.htm
- DA PASSANO Mario - Il «delitto di Regina Cœli» (http://www.dirittoestoria.it/4/in-Memoriam/Mario-Da-Passano-e-la-storia-del-diritto-moderno/Da-Passano-Delitto-Regina-Coeli.htm
- DAL PONT Adriano (1975) I lager di Mussolini. La Pietra, Milano.
- DAL PONT Adriano, LEONETTI Alfonso, MAIELLO Pasquale, ZOCCHI Lino (1962) Aula 4: tutti i processi del Tribunale speciale fascista. ANPPIA, Roma.
- FAGGI Vico (a cura di) (1970) Sandro Pertini: sei condanne due evasioni. Mondadori, Milano.
- GALZERANO Giuseppe (1988) Gaetano Bresci : la vita, l'attentato, il processo e la morte del regicida anarchico. Galzerano editore -Atti e memorie del popolo - Casalvelino Scalo (Salerno). Tel/fax: 0974.62028 web:
http://galzeranoeditore.blogspot.it e-mail: galzeranoeditore@tiscali.it
- GHINI Celso, DAL PONT Adriano (1971) Antifascisti al confino 1926-1943. Editori Riuniti, Roma.
- GRAGLIA Piero S. () Il penitenziario di Santo Stefano e la rivolta del novembre 1943. Riflessioni e nuove acquisizioni. 75-86.
- LISA Athos (1973) Memorie. In carcere con Gramsci. Feltrinelli, Milano.
- LOMBARDO Mario (1974) em "Colloqui coi lettori" - Storia Illustrata n. 194 - janeiro 1974, pag. 6.
- MARANGON Michele (2017) Ex carcere di Santo Stefano, Boschi e Franceschini inaugurano elisuperficie. Corriere della Sera, 2 agosto 2017
ligação
- MARIANI Giuseppe (1954) Nel mondo degli ergastoli, S.n., Torino.
- OSSICINI Adriano (1999) Un'isola sul Tevere. Editori Riuniti, Roma.
- PARENTE Antonio (1998) Architettura ed archeologia carceraria: Santo Stefano di Ventotene ed il "Panopticon" .Rassegna penitenziaria e criminologica, Roma., Numero 1, 3 : 43-137-
ligação
- PARENTE Antonio (2008) L’ergastolo in Santo Stefano di Ventotene. Architettura e pena. Ufficio Studi Dipartimento Amministrazione Penitenziaria Ministero della Giustizia, Roma.
ligação
- PERTINI Sandro (1947) in "Atti dell’Assemblea Costituente. Discussioni", IX, 19 de novembro de 1947, 2179-2180.
- PUGLIESE Amelia (s.a.) Viaggio nella casa di correzione penale di Santo Stefano.
http://www.ventotenet.org/tourinfo/santostefano.htm e http://www.ecn.org/filiarmonici/santostefano.html.
- SETTEMBRINI Luigi (1964) Ricordanze della mia vita. Rizzoli editore; Milano. Liber Liber - Progetto Manuzio
ligação
- SPEZZANO Francesco (1984) Voce "Pugliese, Rocco" em "Enciclopedia dell’antifascismo e della Resistenza". La Pietra-Walk Over, Milano. IV: 813-814.
- SPRIANO Paolo (1969) Storia del Partito Comunista Italiano. Einaudi, Torino.
- TOURING CLUB ITALIANO (1964) Guida d'Italia - Lazio. Industrie Grafiche Italiane Stucchi, Milano.
- TRICOLI Giuseppe (1855) Monografia per le isole del gruppo ponziano. Stamperia vico S. Marcellino 4, Napoli.

SITES WEB:
Ministério da Justiça, Museu de Criminologia, Roma http://www.museocriminologico.it/index.php/documenti2/2-non-categorizzato/76-gaetano-bresci
Terre Protette Agência de Viagens e tour operator, Roma
http://www.terreprotette.it/tp2/106;
Site www.ventotene.it
http://www.ventotene.in/isola/monumenti/carcere.aspx - http://www.ventotene.it/escursioni.aspx
Wikipedia,
http://it.wikipedia.org/wiki/Repubblica_di_Santo_Stefano;
Articulo de Giuseppe De Filippis,
http://www.edificiabbandonati.com/Fotografie/Cartelle/C09-IsolaSSTefano/testo.htm;
O Manifesto de Ventotene,
http://www.altierospinelli.org/manifesto/it/manifestoit_it.html;
O articulo de Amelia Pugliese
http://www.ecn.org/filiarmonici/santostefano.html
O texto de "Ricordanze della mia vita" de L. Settembrini: http://www.intratext.com/IXT/ITA2618/_PU.HTM
Isola di Santo Stefano - I. Pontine (LT) - Ex carcere di "Stato"
https://www.nauticareport.it/dettnews.php?idx=18&pg=4344

Sites web não mais ativo o não mais alcançaveis (ao 22 de novembro de 2018):
http://dwardmac.pitzer.edu/Anarchist_Archives/goldman/
Marcello Botarelli, fotógrafo
http://www.marcellobotarelli.it/santostefano/index.html;
Le due città (As duas cidades), revista da administração carcerária n. 5 Ano VIII maio 2007
http://www.leduecitta.com/articolo.asp?idart=1971;

página criada em: 27 de fevereiro de 2011 e modificada pela última vez em: 23 de novembro de 2018