Com boa saúde
(desde o boletim informativo de Consumer Health Digest. Tradução: Andrea Gaddini)

suplementos e cosméticos

Os suplementos de vitamina C podem levantar o risco de catarata. (#09-52 - 24 de dezembro de 2009)
Um estudo sobre mulheres submetidos a observação durante um período de oito anos evidenciou que a suplementação com vitamina C, particularmente em doses elevadas e com longa duração, pode aumentar o risco de catarata relacionada à idade. O estudo incluiu 24.593 mulheres com idade entre 49 e 83 anos pertencendo à coorte das suecas submetidas a mamografia (sob observação desde setembro 1997 até outubro 2005). Os pesquisadores utilizaram um questionário auto-administrado para recolher informações sobre o uso de suplementos dietéticos e sobre os fatores relacionados com o estilo de vida.
[Rautiainen S. et al. Vitamin C supplements and the risk of age-related cataract: a population-based prospective cohort study in women. American Journal of Clinical Nutrition, Nov 18, 2009. Epub ahead of print] http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19923367.
O estudo não prova uma relação de causa e efeito, mas como a vitamina C em doses elevadas não fornece à população geral algum benefício demonstrado, os resultados da pesquisa abastecem razões adicionais para evitar sobredosagens de vitamina C.

Muitos suplementos revelaram-se ineficaces para a perda de peso. (#10-28, 15 de julho de 2010)
No Congresso Internacional da Obesidade (ICO 2010) em Éstocolmo, duas equipas de pesquisadores relataram sobre os estudos que demonstraram que muitos comuns ingredientes dos suplementos dietéticos não são eficazes para o controlo do peso. Um estudo evidenciou que L-carnitina, poliglucosamina, pó do couve, pó de semente de guaraná, extrato de feijão, extrato de konjac, fibra, alginato de sódio e extratos vegetais selecionados não foram mais eficazes do que os placebos durante um período de oito semanas. O outro estudo era uma revisão sobre outros estudos publicados, sumariando o estado das evidências alcançadas pelos ensaios clínicos envolvendo picolinato de cromo, ephedra, laranja amarga, ácido linoleico conjugado (CLA), cálcio, goma guar, glucomanan, quitosana e chá verde. [New research finds no evidence that popular supplements facilitate weight loss. ICO news release, July 2010], http://www.dietscam.org/reports/ico.shtml.

A Dannon Company aceita as acusações da FTC. (#11-01, 6 de janeiro de 2011)
A Dannon Company, Inc. (divisão do grupo Danone nos Estados Unidos) aceitou deixar de fazer afirmações não demostradas com respeito a seu iogurte Activia e à bebida láctea DanActive, que contêm bactérias potencialmente benéficas conhecidas como probióticos. [Dannon agrees to drop exaggerated health claims for Activia yogurt and DanActive dairy drink. FTC news release, Dec 15, 2010] http://www.ftc.gov/opa/2010/12/dannon.shtm. De acordo com a conciliação:
** A Dannon é proibido afirmar que qualquer iogurte, bebida láctea, alimento ou bebida probiótica reduza a probabilidade de contrair um resfriado o uma gripe, a menos que a afirmação não seja aprobada pela FDA.
** Dannon não pode afirmar que qualquer iogurte, bebida láctea, alimento ou bebida probiótica possa aliviar uma temporária irregularidade ou ajude em caso de trânsito intestinal lento a menos que a afirmação não seja verificada pelo menos por dois ensaios clínicos bem projetados sobre o homem.
** Dannon não pode fazer nenhuma outra afirmação com respeito a benefícios pela saúde, performances ou eficácia de qualquer iogurte, bebida láctea, alimento ou bebida probiótica, a menos que as afirmações não sejam verdadeiras e suportadas por provas científicas adequadas e confiáveis.
A FTC trabalhou em estrita coordenação com 39 procuradores gerais do estado, que estão anunciando simultaneamente a resolução das suas próprias investigações na publicidade Dannon de DanActive e Activia. Dannon aceitou pagar aos estados 21 milhões de dólares para resolver estas investigações. Dannon igualmente resolveu uma ação popular concordando criar um fundo de 35 milhões de dólares para reembolsar aos consumidores até 100 dólares para os produtos comprados http://www.casewatch.org/civil/dannon/settlement.pdf.

Um fabricante de creme para a pele aceita as acusações da FTC. (#11-20, 7 de julho de 2011)
Beiersdorf Inc. assinou um acordo de conciliação segundo o qual pagará 900,000 de dólares e deixará de afirmar que o uso da sua creme para a pele Nivea My Silhouette! possa reduzir significativamente o tamanho corpóreo dos usuários. A notificação administrativa da FTC acusou Beiersdorf de afirmar falsamente que os consumidores poderiam emagrecer aplicando regularmente a creme Nivea My Silhouette! à sua pele http://www.ftc.gov/os/caselist/0923194/110629beiersdorfcmpt.pdf.
Beiersdorf publicitou o "Bio-slim Complex" da creme, uma combinação de ingredientes incluindo o anis e o chá branco. A conciliação proposta (a) impede a Beiersdorf de fazer afirmações não demostradas sobre o facto do que qualquer produto aplicado à pele cause uma perda substancial de peso ou de gordura ou uma redução substancial do tamanho corpóreo e (b) exige que qualquer afirmação sobre benefícios pela saúde de qualquer medicamento, suplemento dietético ou cosmético seja suportada por adequadas e confiáveis provas científicas. A FTC aconselha consumidores de desconfiar de todas afirmações de que o tamanho corpóreo possa ser reduzido de modo significativo aplicando uma creme. [FTC settlement prohibits marketer from claiming that Nivea Skin Cream can help consumers slim down. FTC news release, June 29, 2011] http://www.ftc.gov/opa/2011/06/beiersdorf.shtm.

Um estudo põe em discussão a segurança da vitamina E. (#11-34, 13 de outubro de 2011)
Um importante estudo clínico evidenciou que a suplementação dietética com vitamina E parece aumentar o risco de cancro da próstata entre homens aparentemente sãos. [Klein EA and others. Vitamin E and the risk of prostate cancer: The Selenium and Vitamin E Cancer Prevention Trial (SELECT). JAMA 306:1549-1556, 2011] http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21990298
O estudo, que prolongou-se por mais de sete anos, examinou o que acontecia a mais de 35.000 homens que receberam 400 UI de vitamina E, vitamina E mais selênio, selênio, ou um placebo. O grupo que recebeu somente a vitamina E teve uma incidência do 17% mais elevada de cancro da próstata. Os pesquisadores admoestam: "o aumento (…) observado de incidência de cancro da próstata demonstra que substâncias aparentemente inócuas e ainda biologicamente activas como as vitaminas podem potencialmente causar danos. A falta de benefícios da suplementação dietética com vitamina E ou outros agentes no que diz respeito à prevenção de ordinários problemas de saúde e do cancro ou da melhora da sobrevivência geral e sua potencial perigosidade, enfatiza como seja necessário pelos consumidores de ser cépticos com respeito a afirmações sobre a saúde de medicamento de venda livre não regulamentados faltando de claras provas de benefícios demonstrados em ensaios clínicos."

Um site web alerta contra o perigo dos suplementos. (#12-18 24 de maio de 2012)
A Agência Antidopagem de Estados Unidos lançou o site web Supplement 411 para alertar sobre o perigo dos suplementos dietéticos comercializados aos atletas. http://www.usada.org/supplement411. O site apresenta as histórias de proeminentes atletas que foram desqualificados das competições depois de que substâncias ilegais (provindo de suplementos) foram encontradas em sua urina. O site também informa sobre notícias acerca dos perigos procedentes dos suplementos.

Um estudo encontra escassas evidências de que os produtos para aumentar o rendimento desportivo sejam úteis. (#12-26 26 de julho de 2012)
Os pesquisadores que examinaram afirmações sobre a melhoria do rendimento por bebidas esportivas, suplementos, roupas, calçados e dispositivos concluíram que aquelas não estavam adequadamente apoiadas em evidências científicas. Os pesquisadores examinaram 1035 páginas web, identificaram 431 afirmações sobre a melhoria do rendimento por 104 produtos diferentes, pediram aos vendedores informações adicionais, e avaliaram 146 referências que supostamente apoiavam as afirmações objecto de publicidade. Eles acharam que a mitade dos sites não citavam alguma referência e que entre aqueles que fizeram-o, quase todos os estudos foram inadequadamente planeados. [Heneghan C and others. The evidence underpinning sports performance products: A systematic assessment. BMJ Open 2:e001702, 2012] http://bmjopen.bmj.com/content/2/4/e001702.full

Prêmio Nobel adverte que os antioxidantes podem causar câncer. (#13-3 - 17 de janeiro de 2013)
O geneticista James Watson, que ganhou o Prêmio Nobel pela descoberta da estrutura do ADN, observou que estudos clínicos sobre os suplementos antioxidantes beta-caroteno, vitamina A, vitamina C, vitamina E e selênio não demonstraram nenhuma eficácia evidente contra os géneros mais comuns de câncer e podem encurtar a vida dos pacientes com câncer que usá-los. Em um artigo estritamente técnico, ele diz que em vez de continuar fazendo estes ensaios, as pesquisas futuras teriam que focar-se no desenvolvimento de remédios inovadores anti-metastáticos, incluindo remédios que inibem a atividade antioxidante. [Watson J. Oxidants, antioxidants and the current incurability of metastatic cancers. Open Biology 3:120144, 2013]

Os suplementos de vitamina C seriam associados com os cálculos renais. (#13-7 - 14 de fevereiro de 2013)
Um estudo de 11 anos sobre mais de 48.000 homens demonstrou que aqueles que tomaram suplementos de vitamina C (ácido ascórbico) tinham duas vezes mais probabilidades de desenvolver cálculos renais comparados com os que não os tomaram. O componente dominante destes cálculos era o oxalato de cálcio. A associação não prova uma relação de causa e efeito, mas os autores notam: "Atualmente não há nenhum benefício bem documentado em tomar altas doses de suplementos de ácido ascórbico e portanto parece prudente aconselhar evitar preparações em altas doses, especialmente para as pessoas com história prévia de cálculos renais." [Thomas L and others. Ascorbic acid supplements and kidney stone incidence among men: a prospective study. JAMA Internal Medicine, Feb 4, 2013] Um editorial de acompanhamento assinala que o nexo de causalidade é biologicamente plausível porque o ácido ascórbico é parcialmente metabolizado a oxalato e excretado na urina. [Fletcher RH. The risk of taking ascorbic acid. JAMA Internal Medicine, Feb 4, 2013] O texto completo destes artigos pode-se baixar gratuitamente de internet.

Esmagaram o uso de multivitamínicos. (#13-48 - 19 de dezembro de 2013)
A revista Annals of Internal Medicine publicou os resultados de três estudos que não encontraram nenhum benefício da ingestão de multivitamínicos:
a U.S. Preventive Services Task Force actualizou a sua avaliação dos suplementos multivitamínicos para a prevenção primária em adultos vivendo em comunidade, sem carências nutricionais. Depois de revisar os três experimentos sobre os multivitamínicos e 24 sobre vitaminas simples ou emparelhados, alocadas aleatoriamente a mais de 400.000 participantes, os autores concluíram que não havia nenhuma evidência clara de um efeito benéfico sobre a mortalidade por todas as causas, doença cardiovascular ou câncer. [Fortmann SF and others. Vitamin and mineral supplements in the primary prevention of cardiovascular disease and cancer: An updated systematic evidence review for the U.S. Preventive Services Task Force. Annals of Internal Medicine 159:824-834, 2013 (ligação)]
Outra equipe avaliou o uso diário dum multivitamínico para prevenir o declínio cognitivo em 5947 médicos machos de 65 anos ou mais de edade participando no Physicians' Health Study II. Depois de 12 anos de seguimento não encontrou-se nenhuma diferença entre os grupos com multivitamínicos e aquilos com placebo no desempenho cognitivo global ou na memória verbal. [Grodstein F and others. Long-term multivitamin supplementation and cognitive function in men: A randomized trial. Annals of Internal Medicine 159:806-814, 2013 (ligação)] O texto completo está disponível gratuitamente on-line.
Outra equipe avaliou os potenciais benefícios duma alta dose de suplemento multivitamínico de 28 componentes em 1.708 homens e mulheres com ataques cardíacos prévios que participaram a um experimento para avaliar a terapia da quelação. Depois dum seguimento médio de 4,6 anos, não encontraram-se diferenças significativas em eventos cardiovasculares recorrentes com o uso de multivitamínicos em comparação com o placebo, embora, como observaram os autores, a significância deste estudo foi limitada pelas altas taxas de não adesão e de abandonos. [Lamas GA and others. Oral high-dose multivitamins and minerals after myocardial infarction: A randomized trial. Annals of Internal Medicine 159:717-804, 2013 (ligação)]
Um editorial de acompanhamento, que considerou a gama de estudos publicados anteriormente, tirou uma conclusão muito negativa, que gerou manchetes nos mídia de todos os Estados Unidos.
O beta-caroteno, a vitamina E e possivelmente altas doses de suplementos de vitamina A são prejudiciais. Outros antioxidantes, ácido fólico e vitaminas do grupo B, multivitamínicos e minerais são ineficazes para a prevenção da mortalidade o da morbidade devida as principais doenças crônicas. Embora as evidências disponíveis não excluam pequenos ou grandes benefícios ou prejuízos em pequenos subgrupos da população, achamos que o caso esteja encerrado - a suplementação da dieta de adultos bem nutridos com (a maioria dos) suplementos vitamínicos ou minerais não dá nenhum claro beneficio e pode até ser prejudicial. Estas vitaminas não devem ser utilizadas para a prevenção de doenças crónicas. Já chega! [Gualler E and others. Enough Is enough: Stop wasting money on vitamin and mineral supplements. Annals of Internal Medicine 159:850-851, 2013 ligação]
Quackwatch publica sugestões sobre o uso racional de suplementos alimentares (ligação). Entre outras coisas, recomenda-se que as pessoas que desejam tomar multivitamínicos devem fazê-lo apenas cada 2 ou 3 dias e não gastar mais do que um dólar por mês.

Suplementos tóxicos provocam apelo a uma maior regulamentação. (#14-14 - 20 de abril 2014)
Cerca de 100 casos de hepatite (inflamação do fígado) e insuficiência hepática relacionaram-se com o uso de OxyElite Pro, um suplemento dietético destinado à construção muscular ou à perda de peso. Em resposta o doutor Pieter A. Cohen, M.D. assinalou que:
- os estadunidenses gastam mais de 32 mil milhões de dólares por ano em mais de 85.000 diferentes combinações de vitaminas, minerais, produtos botânicos, aminoácidos, probióticos e outros ingredientes dos suplementos. Ao contrário dos medicamentos sujeitos a receita médica, os suplementos não precisam de aprovação pré-comercialização antes de chegarem às lojas.
- De acordo com o Dietary Supplement Health and Education Act de 1994 (Lei da Saúde e Educação sobre os Suplementos Dietéticos), qualquer produto etiquetado como suplemento dietético é considerado seguro até que se prove o contrário. A FDA é responsável pela pouco invejável tarefa de identificação e remoção dos suplementos perigosas só depois de que causem danos.
- Embora OxyElite Pro foi retirado, nada foi feito para impedir a outros suplementos de causar insuficiência orgânica ou morte. Nem tampouco foram feitas modificações para melhorar a capacidade da FDA de detectar suplementos perigosos.
- Mais de 500 suplementos já foram encontrados adulterados com medicamentos ou análogos farmacêuticos, entre os quais novos estimulantes, novos esteróides anabolizantes, antidepressivos não aprovados, remédios para emagrecer proibidos e análogos não testados do sildenafil (o ingrediente ativo do Viagra)
- Se os consumidores e os médicos devem ter confiança de que todos os suplementos são seguros, as leis que regulam os suplementos devem ser reformadas de modo que cada ingrediente seja submetido a testes de segurança rigorosos antes da comercialização.
[Cohen P. Hazards of hindsight: Monitoring the safety of nutritional supplements. New England Journal of Medicine 370:1277-1280, 2014]

Empresa de cosméticos concilia as acusações da FTC (#14-24 - 6 de julho de 2014)
L'Oréal USA, Inc. conciliou as acusações da Comissão Federal de Comércio (Federal Trade Commission) de publicidade enganosa sobre os seus produtos de cuidados da pele Lancôme Génifique e L'Oréal Paris Youth Code. De acordo com a queixa da FTC, L'Oréal fez alegações falsas e infundadas de que seus produtos Génifique y Youth Code proporcionam benefícios anti-envelhecimento, focando-se nos genes dos usuários. De acordo com o acordo administrativo proposto à empresa será proibido de fazer alegações infundadas de que os produtos de cuidado facial Lancôme ou L'Oréal Paris foquem-se ou aumentem a atividade dos genes para fazer ou fazer parecer a pele mais jovem, ou que respondam cinco vezes mais rápido aos fatores que agridem a pele, tais como stress, fadiga ou envelhecimento [L'Oréal settles FTC charges alleging deceptive advertising for anti-aging cosmetics. FTC news release, June 20, 2014].

Agência antidopagem dos Estados Unidos (USADA) alerta atletas contra suplementos dietéticos (#14-29 - 10 agosto 2014)
A Agência antidopagem dos Estados Unidos (USADA) publica um site que refuta os mitos sobre os suplementos dietéticos e desestimula o seu uso. Entre outras coisas, o site alerta:
- É difícil de navegar no mercado de suplementos e assuntos relacionados, ninguém pode dar todas as respostas.
- Muitas pessoas precipitadamente chegaram à conclusão de que os suplementos são seguros, eficazes e são um componente necessário para ser atletas de elite.
- É altamente improvável que pessoas saudáveis não sejam capazes de obter os nutrientes de que precisam somente da sua dieta. Simplesmente não há nada que possa substituir a utilização duma dieta adequada.
- A maioria dos suplementos não foram testados para melhorar as prestações.
- Alguns suplementos contêm quantidades exorbitantes de nutrientes que são não necessários, inutilizáveis pelo corpo, ou até mesmo potencialmente prejudiciais.
- A melhor opção pode ser a de não tomar suplementos alimentares.
O site também contém as páginas amarelas dos suplementos de alto risco dos produtos que foram encontradas conter substâncias proibidas em competições esportivas de alto nível. A lista pode ser acessada gratuitamente, mas requer que os que o consultam inscrevam-se.

Suplementos associados a toxicidade hepática (#14-38 - 12 outubro 2014)
O Drug-Induced Liver Injury Network (Rede de dano hepático induzido por sustâncias) informou que cerca de 15 % dos casos que estudou envolveram produtos de ervas e suplementos dietéticos. A organização foi criada em 2003 para identificar e estudar casos de dano hepático induzido por sustâncias, atribuíveis a medicamentos, excluindo o paracetamol (APAP), e a suplementos. Os 130 pacientes com dano hepático por suplementos consisteram em 45 (35%) que tomaram produtos para culturismo e 85 (65%) que tomaram produtos não para culturismo. O relatório assinalou que os problemas atribuíveis a produtos para culturismo foram relativamente leves, mais as consequências graves (óbitos e transplantes de fígado) foram mais freqüentes entre os usuários de produtos não para culturismo do que entre os usuários de medicamentos [Navarro VJ and others. Liver injury from herbals and dietary supplements in the U.S. Drug-Induced Liver Injury Network. Hepatology 60:1399-1408, 2014].

Muitos suplementos de ervas e dietéticos falham os testes de ingredientes (#15-28 - 19 julho 2015)
ConsumerLab.com, que testou mais de 4.500 produtos desde novembro de 1999, verificou que, até julho de 2015, 20% das vitaminas e minerais, 43% das ervas, 21% dos outros suplementos, e 24% de pós e bebidas nutricionais falharam suas avaliações. O problema mais comum foi a escassez ou a carência do ingrediente principal. Os outros problemas incluíam excedência do ingrediente activo, ingrediente errado, ingredientes potencialmente perigosos ou ilegais, contaminação com metais pesados; "baptismo" com ingredientes inesperados, escassa fragmentação (que afeta a absorção) e informações sobre o produto enganosas ou incompletas.

Esmagaram o uso de produtos de ervas
(#15-45 - 15 novembro 2015)
Donald M. Marcus, professor emérito de Medicina e Imunologia no Baylor College of Medicine de Houston, criticou severamente o uso de produtos de ervas e a maneira frouxa em que são regulados [Marcus DM. Dietary supplements: What's in a name? What's in the bottle? Drug Testing and Analysis, Nov 2, 2015]. Marcus conclui:
O DSHEA (Dietary Supplement Health and Education Act, Lei de saúde e formação sobre os Suplementos Dietéticos) de 1994, que classifica arbitrariamente como suplementos dietéticos os produtos de ervas e outros medicamentos, obscureceu as diferenças fundamentais entre as duas classes de produtos. Os verdadeiros suplementos pela dieta, tais como multivitaminas ou cálcio, têm valor nutricional e são seguros. Os produtos de ervas são usados em todo o mundo como medicamentos, não complementam a dieta, podem causar graves efeitos desfavoráveis, e devem ser regulamentados como medicamentos. O DSHEA também impediu à FDA de regulamentar de forma eficaz os suplementos de ervas como medicamentos. Uma conseqüência da fraca supervisão regulatória da FDA é a má qualidade dos produtos de ervas. As inspecções da FDA nas instalações de transformação revelaram violações das boas práticas de fabricação em mais da metade das instalações inspeccionadas, incluindo precárias condições higiênicas e falta de especificações do produto. Além disso, muitos produtos de ervas "todos naturais", comercializados para perda de peso, melhoria da saúde sexual e melhoria do desempenho esportivo, eram adulterados com medicamentos com receita médica ou de venda livre, que causaram efeitos cardiovasculares desfavoráveis. Os novos procedimentos para autenticar a identidade de plantas utilizadas nos produtos de ervas, não detectar a adulteração por medicamentos, nem fornecer uma garantia de actividade farmacológica adequada ou de segurança. Os "suplementos" não-vitaminas e não minerais devem ser regulamentados como medicamentos, mas a revisão ou a revogação do DSHEA enfrenta forte oposição no Congresso. A comercialização de suplementos botânicos é baseada em alegações infundadas de que eles são seguros e eficazes. Os profissionais de saúde precisam informar os pacientes e o público que não há nenhuma razão para tomar medicamentos de ervas cuja composição e benefícios são desconhecidos, e cujos riscos são evidentes.
O texto integral do artigo (em inglês) está acessível gratuitamente.


Reportagem de Frontline esmaga a indústria dos suplementos dietéticos
(#16-05 - 31 janeiro 2016)
Frontline, o New York Times e a Canadian Broadcasting Corporation co-produziram uma reportagem vídeo de 55 minutos examinando problemas na comercialização e regulamentação de vitaminas, produtos de ervas e suplementos dietéticos. A reportagem põe em foco (a) produtos contaminados que causaram dano.

A FTC ataca as alegações "natural"
(#16-14 - 17 abril 2016)
Quatro empresas que comercializam em-linha produtos de cuidado da pele, xampus e protetores solares acordaram resolver as acusações da FTC de falsamente alegar que seus produtos eram "totalmente natural" ou "100% natural", apesar do fato de que eles contêm ingredientes sintéticos [Four companies agree to stop falsely promoting their personal-care products as "all natural" or "100% natural"; fifth is charged in Commission complaint. FTC news release, April 12, 2016]. Em virtude dos acordos propostos, a cada uma das quatro empresas está proibido de fazer declarações falsas parecidas no futuro e deverão dar provas fidedignas e fiáveis para substanciar qualquer alegação relacionada com os ingredientes, o meio ambiente ou a saúde. A FTC emitiu una denúncia contra uma quinta empresa para ter feito alegações similares. Jessica Rich, Diretora do Departamento de Defesa do Consumidor da FTC, declarou que "todo natural" y "100% natural" significa que o produto não deve conter ingredientes artificiais. Em resposta a uma petição de cidadãos, a FDA está revendo o uso da alegação "natural" na rotulagem (ligação).

O uso da cama de bronzeamento diminui, mas continua preocupante
(#17-10 - 5 março 2017)
USA Today publicou uma excelente revisão do status do uso de cama de bronzeamento nos Estados Unidos hoje [Painter K. Home tanning beds: convenient but dangerous, health experts say. USA Today, Feb 26, 2017]. O artigo observa que mais de 10 mil dos 18 mil salões de bronzeamento que operavam em 2010 fecharam, mas um número desconhecido de pessoas continua a usar camas de bronzeamento em casas particulares. A psicóloga behaviorista Sherry Pagoto, PhD, está participando de uma campanha para incentivar as faculdades a reduzir o acesso fácil às camas de bronzeamento em ou perto dos campi universitários. Em 2014, Pagoto escreveu um estudo que descobriu que 48% das melhores faculdades reportadas por U.S. News and World Report tinham instalações de bronzeamento num lugar fechado, quer no campus ou fora dos campi que cercam as escolas, e que 14% permitia pagar o bronzeamento com cartões de dinheiro do campus. Numa entrevista de 2015, Pagoto afirmou que essas circunstâncias criam nos alunos a percepção de que os faculdades promovam o bronzeamento, apesar de sua associação com um risco de câncer extremamente elevado. Estima-se que mais de 450.000 casos de câncer de pele não melanoma e mais de 10.000 casos de melanoma foram atribuídos anualmente ao bronzeamento num lugar fechado nos Estados Unidos, na Europa e na Austrália [Weiner MR and others. International prevalence of indoor tanning A systematic review and meta-analysis. JAMA Dermatology 150:390-400, 2014].

Reportaram insuficiência renal após altas doses de vitamina D
(#19-15 - 4 abril 2019)
Um homem de 54 anos desenvolveu insuficiência renal após que: (a) um naturopata o aconselhei a tomar oito gotas diárias de uma marca de vitamina D que continha 500 unidades internacionais (UI) por gota e, (b) recebeu inadvertidamente outra preparação de vitamina D contendo 1.000 UI por gota. O total resultante foi de 8.000 a 12.000 UI por dia durante dois anos e meio, durante o qual ele não foi aconselhado sobre os riscos de toxicidade. Um ano depois de ter sido diagnosticada a sua insuficiência renal e iniciado o tratamento devido aos níveis sanguíneos elevados de vitamina D e cálcio, ficou com doença renal crónica de estágio 3B [Auguste BL and others. Use of vitamin D drops leading to kidney failure in a 54-year-old man. CMAJ 191:E390-E394, 2019].
Uma revisão de centenas de estudos realizada em 2014 concluiu que não existem evidências altamente convincentes de um papel claro da vitamina D para qualquer resultado terapêutico [Theodoratou E. and others. Vitamin D and multiple health outcomes: umbrella review of systematic reviews and meta-analyses of observational studies and randomised trials. BMJ 348:g2035, 2014].
No ano passado, a U.S. Preventive Services Task Force recomendou contra a suplementação diária de 400 UI ou menos de vitamina D e 1000 miligramas ou menos de cálcio para a prevenção primária de fraturas em mulheres na pós-menopausa residentes em comunidades. A Task Force também concluiu que as provas atuais são insuficientes para avaliar o balanço benefícios/danos de:
- suplementação diária com doses superiores a 400 UI de vitamina D e superiores a 1000 mg de cálcio para a prevenção primária de fraturas em mulheres na pós-menopausa residentes em comunidades.
- suplementação de vitamina D e cálcio, isoladamente ou combinados, para a prevenção primária de fraturas em homens e mulheres na pré-menopausa.


Examinaram a propaganda do colágeno
(#20-45 - 17 novembro 2020)
Consumer Reports destacou a falta de suporte científico para alegações de que o consumo de colágeno em pó, pílulas e alimentos pode resultar em pele mais lisa, cabelo mais brilhante, unhas mais fortes, articulações mais saudáveis e mais massa muscular magra [Wadyka S. The real deal on collagen. Consumer Reports, Oct 13, 2020]. O artigo observa que o Nutrition Business Journal projeta que as vendas de suplementos de colágeno nos EUA cheguem a 298 milhões de dólares este ano, frente aos 73 milhões de dólares em 2015. O colágeno é uma proteína que têm juntos a pele, os tendões, os ligamentos, os ossos, e a cartilagem. Mas isso não significa que os consumidores se beneficiam do colágeno em suplementos ou adicionado a alimentos, como barras energéticas, farinha de aveia, batidos, cremes de café e pipoca. O corpo humano produz colágeno a partir de glicina, prolina, hidroxiprolina e outros aminoácidos quando são digeridas as proteínas (não só o colágeno). A conclusão do artigo é que: "até que haja evidências mais conclusivas a favor de suplementos ou alimentos enriquecidos com colágeno, a melhor solução pode ser se concentrar em uma dieta saudável que forneça quantidades adequadas de proteína e limite a exposição ao sol".

Destacam-se os cremes faciais com células-tronco
(#21-12 - 28 março 2021)
O biólogo de células-tronco Paul Knoepfler, Ph.D., forneceu um guia esclarecedor para o mercado de cremes faciais de células-tronco, que ele vê como "um exemplo particularmente frustrante de consumidores perdendo dinheiro relacionado às células-tronco". Com uma simples pesquisa por “creme facial com células-tronco” na Amazon.com, ele encontrou 183 produtos, muitos dos quais custam mais de 100 dólares e alguns que custam mais de 200 dólares por um frasquinho. Ele acredita que a maioria desses produtos não parece conter células-tronco [Knoepfler P. Fact-checking stem cell face cream: Less than face value. The Niche, March 25, 2021]. Knoepfler concluiu:
Os cremes de células-tronco têm muitos dos mesmos ingredientes de outros cremes faciais.
A parte das células-tronco parece ser um truque comercial envolvendo reivindicações excessivas.
Os produtos que contêm realmente materiais de células humanas ou animais podem representar riscos e devem ser considerados medicamentos não aprovados.

A versão original dos textos do boletim informativo está na página inglês. Por sugestões ou críticas sobre a tradução podem escrever-me.
Para consutar o arquivo completo do boletim informativo liguem-se à página web:
https://www.ncahf.org/digest19/index.html.
Para receber gratuitamente o boletim informativo de Consumer Health Digest (em inglês) é suficiente ligar-se à página web:
https://www.ncahf.org/digest/chd.html.

Legenda: FDA: Food and Drug Administration, Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos http://www.fda.gov/
FTC: Federal Trade Commission, Commissão Federal de Comércio dos Estados Unidos http://www.ftc.gov/ em espanhol: http://www.ftc.gov/index_es.shtml
AMA: American Medical Association http://www.ama-assn.org/ama

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Boa saúde a todos (à exceção dos charlatães que fazem dinheiro na saúde dos outros).

Me desculpo por qualquer falha na tradução portuguesa:
se você deseja comunicar comígo para correções e/ou comentários,
escreva-me

página criada em: 29 de agosto de 2011 e modificada pela última vez em: 5 de abril de 2021